Oscar 2018 – Apostas (V) – Filme

filme

Melhor Filme:

Os indicados são:

A forma da água
O destino de uma nação
Corra!
Dunkirk
Lady Bird – É hora de voar
Me chame pelo seu nome
The Post: A Guerra Secreta
Trama Fantasma
Três anúncios para um crime

La La Land venceu o Globo de Ouro de Melhor Comédia/Musical, o prêmio do Sindicato dos Produtores e dos Diretores, o Critics’ Choice e o BAFTA, se tornou um dos filmes mais indicados ao Oscar na história (14 indicações), e, ainda assim, perdeu a estatueta de Melhor Filme, em um dos momentos mais surpreendentes na trajetória dos prêmios da Academia. É possível, portanto, cravar quem sairá vitorioso este ano? Não sei, mas é sempre bom fazer apostas, e, nesse sentido, vejo que essa corrida é uma disputa entre A forma da água e Três anúncios para um crime. Três anúncios para um crime, detentor de sete indicações, venceu o Globo de Ouro de filme dramático, o BAFTA e o prêmio de Melhor Elenco no Sindicato de Atores, mas não conseguiu sequer uma indicação para o Martin McDonagh em direção, o que é realmente preocupante. Só para termos uma ideia, a última vez em que um filme venceu na categoria principal sem estar indicado à direção, foi Argo, em 2013. Além disso, as várias polêmicas envolvendo o longa indicam que a sua recepção está dividindo muitas opiniões. Em um sistema de voto preferencial como o utilizado pela Academia ganha, comumente, o filme que é consenso entre os votantes. La La Land, por exemplo, tinha muitos detratores, o que pode ter sido um dos fatores para a sua derrota. Do outro lado do ringue, temos A forma da água, vencedor dos prêmios dos Sindicatos de Diretores e Produtores, e também do Critics Choice. Com 13 indicações, o filme parece ter sido adorado pela Academia. Eu deveria, seguindo esta lógica, dizer que A forma da água, vai ganhar esse Oscar, mas como vivo a vida perigosamente, aposto que o trabalho do McDonagh, um filme que, de fato, entrou no debate e está sendo utilizado, inclusive, como inspiração para manifestações políticas e sociais por todo o globo, sairá como o grande campeão da temporada.

Quem vai ganhar: Três anúncios para um crime

Quem pode ganhar: A forma da água

Quem quero que ganhe: Me chame pelo seu nome

Quem deveria estar aqui: Mudbound: lágrimas sobre o Mississipi

 

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Oscar 2018 – Apostas (IV) – Direção

Melhor Direção:

guillermo

Os indicados são:

Greta Gerwig – Lady Bird  – É hora de voar
Christopher Nolan  – Dunkirk
Jordan Peele – Corra!
Paul Thomas Anderson – Trama Fantasma
Guillermo del Toro – A forma da água

É curioso como no início da temporada de prêmios pensávamos que Christopher Nolan, em sua primeira indicação ao Oscar de direção, seria o vencedor dessa categoria. Globos de Ouro, Sindicado de Diretores, Critics’s Choice, Baftas depois, todos concordam que Guillermo del Toro, por seu belíssimo trabalho em A forma da água, será coroado no próximo domingo. Del Toro, que está há anos na indústria, parece guardar essa visão autoral e essa ideia de projeto cinematográfico, do cinema como um sonho, do monstruoso, que serão cruciais para sua vitória aqui. Mexicano, o diretor se unirá a seus three amigos Alfonso Cuarón e Alejandro G. Iñarritu, vencedores dessa mesma categoria nos últimos cinco anos. O lado ruim do triunfo de del Toro, porém, é que ele impedirá a vitória de Greta Gerwig (quinta mulher indicada a Direção; e, caso ganhasse, a segunda a conquistar o prêmio); e Jordan Peele (que se tornaria o primeiro negro a vencer na categoria).

Quem vai ganhar: Guillermo del Toro – A forma da água

Quem pode ganhar: Greta Gerwig – Lady Bird  – É hora de voar

Quem quero que ganhe: Guillermo del Toro – A forma da água

Quem deveria estar aqui: Luca Guadagnino – Me chame pelo seu nome

Oscar 2018 – Apostas (III) – Os Protagonistas

Melhor Atriz:

frances

As indicadas são:

Sally Hawkins – A forma da água 
Frances McDormand – Três anúncios para um crime
Saoirse Ronan – Lady Bird  – É hora de voar
Margot Robbie – Eu, Tonya
Meryl Streep – The Post: A Guerra Secreta 

Todas as indicadas à Melhor Atriz são fantásticas, o que indica o quanto a categoria poderia estar mais competitiva do que nunca. Só que não. Em um ano tão forte para as mulheres, é curioso como uma candidata, desde sua vitória no Globo de Ouro, em janeiro, se consolidou como a franca favorita ao prêmio: Frances McDormand. Interpretando uma mãe em luto, desesperada por justiça, depois da morte violenta de sua filha, Frances, que já venceu um Oscar em 1997 (por Fargo), já deve ter preparado seu discurso, ou não, já que atriz parece sempre tão espontânea. Em um momento tão importante para a discussão sobre o machismo e o sexismo na indústria, a vitória de Frances, não só por sua personagem, como também por sua força fora das telonas, soa como um grito feminino por liberdade e igualdade. Merecido! De qualquer forma, me parece um crime não falar da qualidade das outras concorrentes: Meryl Streep, que vinha acumulando algumas indicações questionáveis nos últimos cinco anos, é a melhor coisa de The Post, novo filme de Steven Spielberg; Saoirse Ronan, uma das atrizes mais versáteis de sua geração, nos convence, desde o sotaque até a postura, de que é uma adolescente americana rebelde vivendo no interior dos Estados Unidos; Margot Robbie, contra todos os preconceitos e expectativas, está ótima, humanizando uma personagem que a mídia americana parecia conhecer tão bem; e Sally Hawkins… ahh Sally Hawkins, você não precisa de uma palavra para expressar tudo o que Elisa, uma das grandes heroínas do ano, sente, pensa, quer. Trabalhos memoráveis!

Quem vai ganhar: Frances McDormand – Três anúncios para um crime

Quem pode ganhar: Saoirse Ronan – Lady Bird  – É hora de voar

Quem quero que ganhe: Sally Hawkins – A forma da água 

Quem deveria estar aqui: Daniela Vega – Uma mulher fantástica

Melhor Ator:

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Os indicados são:

Timothée Chalamet – Me chame pelo seu nome
Daniel Day-Lewis  – Trama Fantasma
Daniel Kaluuya – Corra!
Gary Oldman – O destino de uma nação  
Denzel Washington – Roman J. Israel Esq.

Desde o início do ano passado, quando saiu uma foto de Gary Oldman caracterizado como Winston Churchill, já sabíamos que o veterano venceria o Oscar. E, de fato, é o que deve acontecer no domingo. O que é ótimo. Mas é péssimo também. Digo ótimo porque Oldman é, sem dúvidas, um dos melhores atores vivos e eu, assim como muitos, desejo que ele tenha uma estatueta dourada para chamar de sua. Mas não por esse trabalho preguiçoso, por essa cinebiografia cansativa e nada inventiva, por essa performance e por esse filme que foram feitos, visivelmente, para dar um Oscar a Oldman.  E olhe que eu gostei do trabalho do ator veterano, ainda que não chegue nem perto da honestidade do Churchill interpretado por John Lithgow, que venceu em 2017 um Emmy por The Crown, série da Netflix. Em um ano em que um jovem ator de 22 anos consegue transmitir insegurança, confiança, desejo, paixão, expectativa, sofrimento… todos esses sentimentos em um único filme, muitas vezes só com o olhar e o movimento do corpo, me parece absurdo que Oldman, se escondendo atrás de maquiagem que não acaba mais, seja considerado o melhor do ano; que um ator acusado de abuso doméstico receba aplausos de uma indústria que, finalmente, tirou 2017 e 2018 para fazer uma limpeza no quarto, expondo vários casos de assédio e agressão contra a mulher. É irônico, é hipócrita, e só mostra o quão perverso e sujo pode ser o universo de Hollywood.

Quem vai ganhar: Gary Oldman – O destino de uma nação 

Quem pode ganhar: Timothée Chalamet – Me chame pelo seu nome

Quem quero que ganhe: Timothée Chalamet – Me chame pelo seu nome

Oscar 2018 – Apostas (II) – Os Coadjuvantes

Melhor Atriz Coadjuvante:

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As indicadas são:

Mary J. Blige – Mudbound: lágrimas sobre o Mississipi
Allison Janney – Eu, Tonya
Leslie Manville – Trama Fantasma
Laurie Metcalf – Lady Bird  – É hora de voar
Octavia Spencer – A forma da água 

A Academia adora mães. Isso fica claro quando olhamos a quantidade de vencedoras do Oscar que receberam suas estatuetas por atuações nas quais o instinto de proteção à cria ou o desenrolar de tensões envolvendo os filhos está no centro de sua performance: Patricia Arquette, Shirley Mclaine, Julia Roberts, Sally Fields, Anne Hathaway, Meryl Streep em suas duas primeiras vitórias…. isso só para citar alguns exemplos. Não é nenhuma surpresa, portanto, que três das cinco indicadas à melhor atriz coadjuvante interpretem… mães: Mary J. Blige, Allison Janney e Laurie Metcalf. E seriam quatro, se Holly Hunter, magnética em Doentes de Amor, não tivesse sido misteriosamente esnobada ao Oscar, mesmo depois de sua indicação ao prêmio do Sindicato dos Atores. Acompanhando as mães nessa categoria estão Leslie Manville, musa de Mike Leigh e ex-esposa de Gary Oldman, que recebe sua primeira indicação ao Oscar por seu sensacional e subestimado trabalho como a irmã do personagem do Daniel Day-Lewis em Trama Fantasma, filme de Paul Thomas Anderson; e Octavia Spencer, que, com sua performance em A forma da água, faz história, ao se tornar apenas a segunda atriz negra a conseguir três indicações ao Oscar (a primeira  foi Viola Davis ano passado). Em um mundo ideal, todos os troféus estariam sendo dados a Laurie Metcalf, atriz do teatro e da televisão, que depois de uma década retornou ao cinema, e realiza em Lady Bird, uma das coisas mais sensíveis que vi no último ano. Na pele de uma mãe em conflito com sua filha adolescente, Laurie constrói uma personagem cheia de camadas, adorável e insuportável na mesma medida, um retrato que muito me fez pensar na relação que tive e que tenho com a minha própria mãe. Não darei spoilers, mas a cena do aeroporto em Lady Bird é uma das mais comoventes da temporada, justamente por conta da performance da atriz. É uma pena que esse trabalho delicado fique na sombra da caricatura unidimensional e nada interessante da Lavona Golden construída por Allison Janney, que praticamente já está com seu nome gravado na estatueta do Oscar. Janney, talvez pouco conhecida do grande público, é uma dama da televisão estadunidense e já participou de muitos filmes importantes, sempre em pequenos papéis. Sua vitória esse ano será não apenas uma vitória pela performance, mas por todo esse tempo prestado à indústria. Não se assustem, portanto, se ao ouvir seu nome, o público se levante para aplaudi-la de pé no próximo domingo.

Quem vai ganhar: Allison Janney – Eu, Tonya

Quem pode ganhar: Laurie Metcalf – Lady Bird – É hora de voar

Quem quero que ganhe: Laurie Metcalf – Lady Bird  – É hora de voar

Quem deveria estar aqui: Holly Hunter – Doentes de Amor

Melhor Ator Coadjuvante:

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Os indicados são:

Willem Dafoe – Projeto Flórida
Woody Harrelson  – Três anúncios para um crime
Richard Jenkins – A forma da água 
Christopher Plummer – Todo o dinheiro do mundo
Sam Rockwell – Três anúncios para um crime

Essa categoria nos rendeu uma das grandes reviravoltas da temporada. Depois de vencer praticamente todos os troféus da crítica, Willem Dafoe, veterano, já acumulando duas indicações anteriores ao Oscar, sem vitória, se viu perdendo todos os prêmios televisionados que antecipam o da Academia – Globo de Ouro, Critics’s Choice, prêmio do Sindicato de Atores, Bafta – para Sam Rockwell, outro veterano que realmente dá um show em Três anúncios para um crime. É muito difícil, nesse sentido, ver outra pessoa, que não Rockwell, triunfando nesse domingo, ainda que muitos acreditem que a polêmica envolvendo a redenção racista de seu personagem no filme possa tirá-lo alguns votos. Duvido. Por mais que respeite todos os trabalhos indicados, é triste não ver Michael Stuhlbarg na lista final. Tendo participado de três dos nove indicados a Melhor Filme deste ano, Stuhlbarg se destaca, especialmente, em Me chame pelo seu nome, sendo um dos responsáveis pela cena mais bonita do filme – a do discurso – , e um dos momentos mais comoventes do cinema em 2017.

Quem vai ganhar: Sam Rockwell – Três anúncios para um crime

Quem pode ganhar: Willem Dafoe – Projeto Flórida

Quem quero que ganhe: Sam Rockwell – Três anúncios para um crime

Quem deveria estar aqui: Michael Stuhlbarg – Me chame pelo seu nome

Oscar 2018 – Apostas (I)

2017 foi bastante intenso para o cinema. E não falo apenas da quantidade de bons filmes lançados no último ano, como também da exposição de um sem número de escândalos sexuais em Hollywood e a consequente queda da carreira de vários nomes importantes da indústria, como o produtor Harvey Weinstein e o ator Kevin Spacey.

O que tem nos ensinado a indústria cinematográfica nos últimos meses é que nem só de sonhos vive o cinema, e que os filmes que tanto amamos são, muitas vezes, produzidos, escritos, dirigidos e/ou atuados por homens que insistem em comportar-se dentro de uma lógica machista e sexista. Se antes aplaudíamos a genialidade desses sujeitos, hoje, diante das notícias, vemos que estávamos celebrando monstros.

Falo isso, antes de lançar as minhas apostas para os vencedores da 90ª edição do Oscar, que acontece nesse domingo (04 de março), porque os prêmios da Academia nunca foram tão políticos quanto nos últimos anos. Se por um longo período, os prestigiosos votantes pareciam totalmente afastados do “mundo real”, coroando decisões que pouco ou não se comunicavam com o nosso tempo, uma virada parece ter ocorrido no coração da Academia, principalmente depois da polêmica, em 2016, envolvendo a ausência completa de negr@s nas categoriais principais durante dois anos seguidos, o #oscarissowhite.

Como reação, tivemos a imposição de desligamento de antigos membros e a entrada de sangue jovem, feminino, negro, latino, asiático entre os votantes. Abertura à diversidade que, possivelmente, ajudou na vitória, ano passado, de longas inspirados como Moonlight, em melhor filme; ou O Apartamento, na categoria de melhor filme estrangeiro, em uma clara reação, aliás, ao governo do presidente Trump.

Nesse sentido, será que as mulheres estarão no centro desse Oscar? Será que os filmes que trazem personagens e perspectivas femininas serão celebrados nesse domingo? Será que teremos a segunda mulher na história a vencer a categoria de direção? São perguntas difíceis. Lanço aqui, então, uma tentativa de resposta a essas questões, a partir das minhas humildes apostas. Comecemos com os roteiros!

Melhor Roteiro Adaptado:

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Os indicados são:

Me chame pelo seu nome – James Ivory
O artista do desastre – Scott Neustadter e Michael H. Weber
Logan – James Mangold e Michael Green
A grande jogada – Aaron Sorkin
Mudbound: lágrimas sobre o Mississipi – Virgil Williams e Dee Rees

James Ivory, que além de roterista, é também produtor e diretor, é uma lenda em Hollywood, e no alto de seus 89 anos e três indicações prévias, nunca ganhou um Oscar. Mas este parece ser realmente o ano de Ivory, que é o responsável pelo roteiro de Me chame pelo seu nome, único nome da lista de roteiros adaptados que também concorre ao prêmio de Melhor Filme. Além de extremamente merecida, portanto, uma vitória aqui teria um duplo efeito: seria a coroação da Academia para a lenda Ivory, e o prêmio de consolação para Me chame pelo seu nome, que não parece ter muitas chances nas outras categorias nas quais foi indicado. De qualquer forma, em um ano relativamente fraco e pouco competitivo para os roteiros adaptados, é uma luz ver, dentre os indicados, Logan, um filme de herói; Mudbound, longa da Netflix, escrito e dirigido por Dee Rees, cineasta negra; e O artista do desastre, filme bacana que, infelizmente, foi perdendo força por conta dos escândalos sexuais protagonizados por James Franco.

Quem vai ganhar: Me chame pelo seu nome

Quem pode ganhar: Mudbound: lágrimas sobre o Mississipi

Quem quero que ganhe: Me chame pelo seu nome

Melhor Roteiro Original:

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Os indicados são:

Doentes de amor – Emily V. Gordon e Kumail Nanjiani
Corra! – Jordan Peele
Lady Bird  – É hora de voar  – Greta Gerwig
A forma da água  – Guillermo del Toro e Vanessa Taylor
Três anúncios para um crime – Martin McDonagh

Se a categoria de melhor roteiro adaptado parece pouco competitiva este ano, a categoria de melhor roteiro original é uma das mais difíceis de prever. Todos os trabalhos indicados aqui, a meu ver, são de bastante qualidade, estando quatro deles, inclusive, indicados à Melhor Filme. Isso tira automaticamente as possibilidades de vitória de Doentes de amor, inusitada comédia romântica autobiográfica escrita pelo casal Emily Gordon e Kumail Nanjiani. Como acredito que A forma da água já sairá com o prêmio de Melhor Direção (spoiler!), imagino que as chances do roteiro assinado pelo Del Toro e pela Vanessa Taylor, que estão sendo acusados, inclusive, de plágio, sejam pequenas aqui. Sobram, portanto, três filmes. Lady Bird  -É hora de voar, uma das grandes sensações do ano, e que assim como Me chame pelo seu nome, poderia ganhar, com o seu roteiro, um prêmio de consolação; Corra!, inventivo trabalho de Jordan Peele, no qual se mesclam drama, comédia, suspense, terror e comentário social sobre o racismo; e Três anúncios para um crime, violento e polêmico roteiro de Martin McDonagh, que ao não ser indicado em direção, talvez tivesse que ser recompensado por seu esforço como roteirista. Corra! venceu essa mesma categoria no Critics’ Choice e no prêmio do Sindicato dos Roteiristas, portanto é o favorito. Mas estou nadando contra a corrente e prevendo que o vencedor do Globo de Ouro e do BAFTA, Martin McDonagh, irá triunfar no Oscar.

Quem vai ganhar: Três anúncios para um crime

Quem pode ganhar: Corra!

Quem quero que ganhe: Corra!

Quem deveria estar aqui: Trama Fantasma

EMMY 2017 – APOSTAS (DRAMA)

No próximo domingo, 17 de setembro, acontece a cerimônia de entrega do 69ª Emmy Awards, principal premiação para programas da televisão norte-americana. Em um ano marcado pelo instável cenário político dos Estados Unidos, por críticas ao governo Trump (muitas delas vindas do próprio setor artístico), e pela ausência de Game of Thrones, que dominou a premiação nos últimos dois anos, é difícil decidir quem serão os grandes vencedores. Lanço aqui, então, as minhas apostas.

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Melhor Roteiro para Série Dramática:

Antes do anúncio dos indicados, imaginava que o trabalho de Peter Morgan em The Crown venceria facilmente essa categoria. Mas a série, que estreou em outubro do ano passado, parece ter perdido força e aberto espaço para uma provável vitória de The Handmaid’s Tale, aqui representada por seu episódio piloto, “Offred”, que particularmente me parece mais um esforço de direção do que necessariamente de roteiro. Fico na torcida por uma vitória de “Chicanery”, episódio surpreendentemente indicado de Better Call Saul, e uma das melhores coisas que pude assistir esse ano.

Quem vai ganhar: “Offred” (The Handmaid’s Tale)

Quem pode ganhar: “Assassins” (The Crown)

Quem quero que ganhe: “Chicanery” (Better Call Saul)

Quem deveria estar aqui: “The Book of Nora” (The Leftovers)

The Other Side

Melhor Direção para Série Dramática:

A Academia adora premiar episódios pilotos nessa categoria. Nessa edição, portanto, temos a disputa entre os primeiros episódios de duas das séries mais comentadas do ano: Stranger Things e The Handmaid’s Tale. Imagino que quem vencer nessa categoria provavelmente desponte como grande favorita para levar também a categoria de Melhor Série Dramática. Nesse sentido, apostaria em The Handmaid’s Tale, que possui, inclusive, um episódio esteticamente mais poderoso e emblemático. Outra aposta forte é Stephen Daldry, diretor com múltiplas indicações ao Óscar, e que realizou um trabalho realmente primoroso com “Hyde Park Corner”, episódio de The Crown.

Quem vai ganhar: “Offred” (The Handmaid’s Tale)

Quem pode ganhar: “The Vanishing of Will Byers” (Stranger Things)

Quem quero que ganhe: “Hyde Park Corner” (The Crown)

Quem deveria estar aqui: “Memphis” (This is Us)

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Melhor Atriz Coadjuvante em Série Dramática:

Mesmo com todas as minhas questões em relação à primeira temporada de Westworld, tenho que admitir que Thandie Newton carrega uma das minhas personagens e performances favoritas do ano. Uma vitória para ela nessa categoria seria, além de merecida, também uma vitória importante para Westworld, recordista de indicações nesta edição do Emmy, mas que conta com poucas chances de conquistar vitórias significativas. Dito isso, acho que a fan-favorite Millie Bobby Brown deve vencer o prêmio, levando em consideração, principalmente, a popularidade de Stranger Things entre os votantes. Chrissy Metz, que realiza um trabalho simpático em This is Us, também surge como séria ameaça.

Quem vai ganhar: Millie Bobby Brown (Stranger Things)

Quem pode ganhar: Thandie Newton (Westworld)

Quem quero que ganhe: Thandie Newton (Westworld)

Quem deveria estar aqui: Amy Brenneman (The Leftovers)

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Melhor Ator Coadjuvante em Série Dramática:

John Lithgow, ator adorado pela Academia, diversas vezes premiado, personifica uma das figuras mais emblemáticas do século XX, Winston Churchill, em um drama de época da Netflix altamente aclamado pela crítica. Há como não ganhar um Emmy? Sim! Principalmente em uma categoria que já nos rendeu algumas surpresas no passado, como as vitórias de Ben Mendelsohn há um ano e a de Peter Dinklage em 2015. Ainda aposto que Lithgow é quem segurará a coroa no domingo, mas fiquem de olho em Ron Cephas Jones, ator veterano que enfim teve a chance de brilhar, com um papel incrível em This is Us, drama visivelmente adorado pela Academia.

Quem vai ganhar: John Lithgow (The Crown)

Quem pode ganhar: Ron Cephas Jones (This is Us)

Quem quero que ganhe: Ron Cephas Jones (This is Us)

Quem deveria estar aqui: Michael McKean (Better Call Saul)

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Melhor Atriz em Série Dramática:

Um Emmy para Claire Foy, estrela de The Crown, parecia óbvio, principalmente depois de suas vitórias no Globo de Ouro e no SAG (prêmio do sindicato dos atores) no início deste ano, mas eis que aparece Elisabeth Moss, nossa eterna Peggy Olson, e o jogo muda de cenário completamente. Entregando um dos trabalhos mais elogiados da temporada, em uma das séries mais comentadas do momento, Moss, que, apesar de suas sete indicações, nunca venceu um Emmy, é, enfim, a franca favorita ao prêmio.

Quem vai ganhar: Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale)

Quem pode ganhar: Claire Foy (The Crown)

Quem quero que ganhe: Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale)

Quem deveria estar aqui: Carrie Coon (The Leftovers)

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Melhor Ator em Série Dramática:

Bob Odenkirk está gigante na terceira temporada de Better Call Saul, e talvez esse seja o ano em que o ator esteja mais próximo de seu merecido Emmy. No entanto, a vitória deve ficar com Sterling K. Brown e sua performance terna e divertida em This is Us. Brown venceu um Emmy ano passado por seu trabalho em American Crime Story: The People vs O.J Simpson, é extremamente popular agora (inclusive com os votantes), e está em um show que conta com muito mais suporte da Academia do que Better Call Saul. Não faz mal também, o fato de que há mais de vinte anos um ator negro não vence essa categoria. Já chegou a hora, já passou da hora.

Quem vai ganhar: Sterling K. Brown (This is Us)

Quem pode ganhar: Bob Odenkirk (Better Call Saul)

Quem quero que ganhe: Bob Odenkirk (Better Call Saul)

Quem deveria estar aqui: Justin Theroux (The Leftovers)

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Melhor Série Dramática:

Game of Thrones está inelegível esse ano, o que nos coloca em um grande dilema. Quem ganhará a principal categoria dramática no Emmy? The Crown, uma das produções mais caras da Netflix, parecia, há alguns meses, a escolha óbvia. No entanto o drama de época rapidamente perdeu bastante fôlego, força, buzz. Westorld, apesar de seu número recorde de indicações, não me parece madura e respeitada o suficiente pelos votantes. House of Cards e Better Call Saul, únicas veteranas na categoria, claramente não possuem muito suporte. This is Us, apesar de sua popularidade, falhou em conseguir indicações em roteiro e/ou direção. A disputa final, portanto, deve ficar entre Stranger Things, adorada pela indústria, tendo vencido as principais categorias do sindicato de atores e também o de produtores; e The Handmaid’s Tale, já vista como série de culto, baseada em um grande best-seller de Margaret Atwood, e incorporada rapidamente a um imaginário de resistência ao governo Trump. Ambas, séries de canal de streaming. Nessa briga feroz entre a Netflix e o Hulu, escolho o último.

Quem vai ganhar: The Handmaid’s Tale

Quem pode ganhar: Stranger Things

Quem quero que ganhe: The Handmaid’s Tale

Quem deveria estar aqui: The Leftovers

EMMY AWARDS 2017 – Apostas (Comédia)

Como um fanático por televisão e premiações que sou, aproveito o espaço do blog para discutir quais serão os prováveis indicados ao Emmy Awards 2017. A lista de indicados sai em 13 de julho, e será interessante analisar se o atual instável estado político em que se encontra os Estados Unidos (e o mundo!) vai afetar de alguma forma as escolhas da Academia. Comecemos com as comédias!

Outstanding Comedy Series:

  1. Veep (HBO)
  2. black-ish (ABC)
  3. Silicon Valley (HBO)
  4. Atlanta (FX)
  5. Master of None (Netflix)
  6. Transparent (Amazon)
  7. Unbreakable Kimmy Schimidt (Netflix)

Alt. Modern Family (ABC)

Veep é a atual vencedora nessa categoria, e eu simplesmente acho difícil que a Academia sinta a vontade de seguir em frente, consagrando outra série esse ano. Ainda que a sexta temporada do show estrelado pela Julia Louis-Dreyfus não tenha sido tão aclamada e bem recebida pelos fãs como a temporada anterior, acredito que ainda exista paixão o suficiente para que Veep vença aqui pelo menos mais uma vez. As principais ameaças para a sátira política são black-ish (série de canal aberto, e sabemos o quanto os canais abertos têm preferência no Emmy quando se trata de comédias), Atlanta (maravilhosa comédia-crítico-autoral-pretensioso-bemescritapracaralho do Donald Glover), Silicon Valley (que a cada ano vem ganhando mais força junto a Academia, aumentando progressivamente em número de indicações) e Master of None, comédia da Netflix que em sua segunda temporada, vem sendo totalmente aclamada pela crítica. Além disso, parece que (ENFIM!!!) a Academia superou Modern Family, que ao que tudo indica, tem poucas chances de indicação esse ano.

ANTHONY ANDERSON

Outstanding Lead Actor in a Comedy Series:

  1. Antony Anderson – black-ish
  2. Donald Glover – Atlanta
  3. Jeffrey Tambor – Transparent
  4. William H. Macy – Shameless
  5. Aziz Ansari – Master of None
  6. Thomas Middleditch – Silicon Valley

Alt. Hank Azaria – Brockmire

Jeffrey Tambor venceu (merecidamente) esta categoria nos últimos dois anos e agora ele parece uma certeza de indicação, mas não de vitória. A terceira temporada de Transparent estreou há quase um ano, e ainda que a produção da Amazon tenha mantido a qualidade que lhe é característica, a série perdeu muito de seu buzz. Isso abre espaço para um novo vencedor aqui. Aposto que a disputa vai se concentrar em Antony Anderson, hilário como o patriarca de uma família negra americana tentando manter suas origens, em black-ish; e Donald Glover, que venceu o Globo de Ouro no início do ano por sua atuação em Atlanta. Não podemos perder de vista William H. Macy, queridinho do Emmy, que já venceu dois prêmios dos Sindicatos dos Atores (SAG) por sua performance na versão americana de Shameless.

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Outstanding Lead Actress in a Comedy Series:

  1. Julia Louis-Dreyfus – Veep
  2. Tracee Ellis Ross – black-ish
  3. Allison Janney – Mom
  4. Lily Tomlin – Grace and Frankie
  5. Ellie Kemper – Unbreakable Kimmy Schimidt
  6. Tracey Ullman – Tracey Ullman’s Show

Alt. Jane Fonda – Grace and Frankie

Alguém pode realmente bater Julia Louis-Dreyfus? Ela tem vencido essa categoria nos últimos cinco anos por sua performance icônica como Selina Meyer em Veep. Ainda que ela continue sendo uma das melhores atrizes trabalhando na televisão hoje, talvez esse seja o ano em que a Julia pareça mais vulnerável. Fiquem atentos a presença da Tracee Ellis Ross, filha da cantora Diana Ross, e vencedora do Globo de Ouro em janeiro desse ano; e na Alison Janney, figura que a Academia ama e que venceu duas vezes por seu trabalho como coadjuvante em Mom, e que agora, numa decisão interessante, resolveu concorrer como protagonista pelo mesmo papel.

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Outstanding Supporting Actor in a Comedy Series:

  1. Alec Baldwin – Saturday Night Live
  2. Tony Hale – Veep
  3. Tituss Burgess – Unbreakable Kimmy Schimidt
  4. Louie Anderson – Baskets
  5. Ty Burrell – Modern Family
  6. Matt Walsh – Veep

Alt. Timothy Simons – Veep 

Categoria acirrada. Alec Baldwin e sua imitação de Donald Trump no Saturday Night Live parece uma aposta segura. Mas eu ficaria atento aos atores de Veep, em especial o Tony Hale, que já venceu essa categoria duas vezes e teve uma excelente temporada; e o Timothy Simons, que infelizmente corre o risco de ser esnobado, mesmo depois do trabalho incrível que realizou nesse ano. Além disso, temos Tituss Burgess, que inexplicavelmente nunca ganhou um Emmy, e que nessa temporada de Unbreakable Kimmy Schimidt teve um episódio no qual ele faz covers de nada mais, nada menos do que… Beyoncé! hahaha

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Outstanding Supporting Actress in a Comedy Series:

  1. Kate McKinnon – Saturday Night Live
  2. Judith Light – Transparent
  3. Anna Chlumsky – Veep
  4. Gaby Hoffman – Transparent
  5. Jane Krakowski – Unbreakable Kimmy Schimidt
  6. Rita Moreno – One Day at Time

Alt. Kathryn Hahn – Transparent

No Saturday Night Live pós-eleição americana, Kate McKinnon, que tinha acabado de vencer seu primeiro Emmy ano passado, abriu o programa fazendo uma impressionante performance de Hallelujah, vestida de Hillary Clinton, sua personagem mais marcante. A apresentação, que repercutiu bastante nos Estados Unidos, absolutamente selou a vitória de Kate McKinnon este ano. Nesse estágio da competição, na minha opinião, somente Judith Light e sua também emblemática performance de Hand in my Pocket, da Alanis Morissette no season finale de Transparent podem bater o furacão McKinnon. Tratando-se de Emmy, esperem uma terceira atriz vinda de lugar nenhum vencendo nesta categoria!

Outstanding Guest Actor a Comedy Series:

  1. Peter MacNicol – Veep
  2. Hugh Laurie – Veep
  3. Tom Hanks – Saturday Night Live
  4. Aziz Ansari – Saturday Night Live
  5. Dave Chapelle – Saturday Night Live
  6. Peter Scolari – Girls

Alt. Jimmy Fallon – Saturday Night Live

Outstanding Guest Actress a Comedy Series:

  1. Melissa McCarthy – Saturday Night Live
  2. Carrie Fisher – Catastrophe
  3. Christine Baranski – The Big Bang Theory
  4. Becky Ann Baker – Girls
  5. Angela Bassett – Master of None
  6. Trace Kysette – Transparent

Alt. Laurie Metcalf – The Big Bang Theory

Outstanding Writing and Directing for a Comedy Series:

As categorias de roteiro e direção, em especial quando se trata das comédias, são sempre muito difíceis de acertar. Aqui é provavelmente o espaço em que a Academia vai celebrar séries que têm tudo para garantir muitas indicações, mas nenhum prêmio nas categorias principais, como Atlanta e Master of None.

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Writing for a Comedy Series:

  1. Atlanta: Donald Glover, “B.A.N”
  2. Silicon Valley: Alec Berg, “Success Failure”
  3. Veep: David Mendel, “Groundbreaking”
  4. Master of None: Aziz Ansari & Lena Whaite, “Thanksgiving”
  5. Catastrophe: Rob Delaney & Sharon Horgan, “Episode 5”
  6. blackish: Kenya Barris, “Lemons”

Alt. Veep: Billy Kimball, “Georgia”/ Atlanta: Donald Glover, “Streets on Lock”

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Directing for a Comedy Series:

  1. Master of None: Aziz Ansari, “The Thief”
  2. Veep: David Mendel, “Groundbreaking”
  3. Silicon Valley: Mike Judge, “Server Error”
  4. Atlanta: Donald Glover, “B.A.N”
  5. Silicon Valley: Jamie Babbit, “Intellectual Property”
  6. Veep: Morgan Sackett, “Blurb”

Alt. Master of None: Alan Yang, “New York, I Love You”